O desamparo

Como vai a historia mencionar o actual governo? Será como o governo que restituiu rendimentos as pessoas, que teve um crescimento nunca visto em Portugal? o governo que reduziu o défice?

Ou será que vai ficar como o governo que deixou morrer, pelo menos, 96 pessoas por falta de apoio? Ficaram sós, desamparadas e entregues a si mesmas.

O que aconteceu este ano com os incêndios não é só responsabilidade do actual governo, mas sim de todos que já lá estiveram. As tragédias não têm só uma causa, nem só um responsável, mas sim um acumular de causas, erros, que chegando a um certo ponto, tudo se desmorona e as fraquezas vêm ao de cima. Por mais leis que se possam criar e aprovar, de nada serve se não são postas em pratica.

Estradas que se encontram tapadas por árvores, vegetação que passa por cima dos railes de protecção, distancias de segurança que não se cumprem, as Juntas de Freguesia, as Camaras Municipais, sabem destas situações e nada fazem por as corrigir. Emitem multas, notificações, mas nada de corrigir no terreno.

Criam-se procedimentos, planos municipais, distritais, protocolos, mas no terreno isso corresponde a que? Nos gabinetes redigem centenas de folhas A4 a explicar como se deve fazer, mas no terreno o que é que de facto isso corresponde? Fica a saber a pouco ou a nada.

Ainda agora está-se a saber dos primeiros relatórios referentes aos incêndios de Pedrogão Grande, e chega-se á conclusão que quem deveria coordenar, não seguiu nenhum desses protocolos e foi tudo feito de uma forma muito amadora.

E a tragédia volta-se a repetir. Nada se aprende. Nada se corrige de facto.

Para o ano como será? Será que algo vai mudar, ou foram apenas 96 mortes que o governo vai indemnizar, calar, com meia dúzia de fanfarronices, algumas demissões só para encher o olho, terão sido em vão as suas mortes? Nada de responsabilidades criminais? Cadeia?

Para os bombeiros uma palavra de apoio, pois são eles, que são como nós, apenas pessoas, que defrontam a besta de frente, e muitas vezes empurrados por outros que pouco ou nada sabem do que estão a decidir. Com meios muitas vezes escassos, lá seguem para a frente da batalha, enquanto outros graduados se desdobram em entrevistas.

A Historia não esqueçe

 

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